sexta-feira, 27 de julho de 2018

Atividades Físicas - Considerações

Sempre evitei assuntos aqui neste blog que eu não estivesse relativamente confortável com o assunto. Que eu tivesse alguma base.

Sobre atividades físicas, apesar de eu sempre estar envolvido com uma ou outra atividade, nunca me entendi um expert no assunto e, por isso, nunca escrevi.

Mas fazendo um retrospecto, acredito que eu tenha sim alguma bagagem para ao menos dar meu ponto de vista sobre o assunto. Vejamos o que já fiz até o momento e que, imagino, muitos dos que lerem aqui também fazem ou já fizeram.


  • Andei de patins (4 rodas como um carro, não o in-line)
  • Andei de skate
  • Bicicleta 10 marchas (não montain bike) a qual me levava para todos os compromissos adolescentes durante a semana (escola, Karatê, mercado etc) e nos finais de semana, passeios e corridas com amigos
  • 2 anos de Kung-Fu, até meu professor sair da academia
  • Karatê, assim que saí do Kung-Fu com 11 anos, até 2007 (considerando o último ano que efetivamente competi) com 32 anos. Até me formar, nunca tive período de inatividade na modalidade
  • Jogava vôlei na rua de duplas com os amigos
  • Jogava queda de braço com os amigos na rua
  • Andei de carrinho de rolemã* (o verdadeiro exercício é subir a ladeira com os carrinhos)
  • Brinquei das mais diversas brincadeiras de rua
  • Fiz Judô por um tempo em uma das obras e fiz Jiu-Jitsu com um amigo em outra obra. Curtos períodos
  • Comecei a fazer trilha de moto em 2002

*Não quero ceder ao corretor e pronunciar 'rolimã'. Eu conheci, cresci e sempre falamos rolemã.



Mecânica corporal

Apesar de nunca ter sido da elite do esporte, eu tenho uma característica boa que é "ler" o meu corpo. Sempre peguei os ensinamentos e técnicas dos esportes que pratiquei, e tentei entender o funcionamento. Eu não fazia os movimentos por fazer. E todos os esportes, artes marciais têm suas técnicas.

Estas técnicas, na verdade, são o melhor movimento que possa ser feito com o melhor resultado. Entende-se por melhor aquele com menor esforço, menor espaço percorrido, menor energia e esforço com o melhor desempenho possível.

Na trilha de moto, é dispender a menor energia possível para vencer os obstáculos e andar o maior tempo possível.

No Karatê é conseguir ser rápido e ágil o maior tempo possível em uma luta além de ser preciso tentando manter o ritmo (ter gás) para ir até o final de uma luta.

No Judô é o mesmo. Gerar muita força contra o oponente com a menor quantidade de energia possível (alavancas!).

"Ler" nosso corpo é perceber se o movimento está causando o efeito pretendido ou se está apenas nos machucando.

Um bom exemplo, geralmente, são os alongamentos. Também têm suas técnicas, mas mudanças sutis nos movimentos mudam grupos e fibras musculares. Vai de quem está ensinando sempre perguntar onde a pessoa está sentindo alongar. Não basta mostrar uma foto da postura e deixar pra lá.

Canso de ver gente alongando os ombros, segurando suas mãos atrás das costas, achando que está alongando todo o peito. Querem mostrar que estão bons de alongamento. Basta uma pequena mudança na postura, ficando ereto e com braços flexionados com os cotovelos apontando para baixo, que os braços mal passam da linha das costas.

Imediatamente sentem o peito rasgar. Esse era o músculo pretendido.


Apenas fibras superiores do músculo - crédito: http://www.exerciciosdealongamento.com

Todas as fibras do meio e as de baixo do peito - crédito: http://www.exerciciosdealongamento.com

Todas as fibras do meio e as de baixo do peito, cotovelos para baixo - crédito: http://www.exerciciosdealongamento.com

Dica: Sinta e faça pequenas mudanças nas posições, sem fazer força. Veja que músculo reage.

Não faça exercício físico para emagrecer

Vamos combinar, o que efetivamente emagrece é comer menos do que se gasta. A atividade física gasta mais sim, mas você ficaria extremamente desmotivado se começar a relacionar algumas comidas e a quantidade de exercício necessário para queimar o equivalente.

Acredito que é muito mais efetivo ter outros motivos para treinar. Ter motivação, que não seja emagrecer, como ser mais musculoso, ter mais força (tem diferença entre ser forte e ter volume muscular), ser mais competitivo, se sentir melhor, ter mais disposição.

Aliás, não há motivação melhor que a competição. Por isso, na minha opinião, esporte ainda é o melhor. Você não pensa no músculo que está fadigando durante um exercício, mas supera a fadiga com o foco em ganhar de um oponente, vencer um obstáculo, ser mais rápido, ser melhor.

Nossas vontades (conscientes) apenas não bastam. Precisamos jogar com nossa natureza primal de sobrevivência ou de ser o melhor (competitividade) para completar o pacote.

Faça o que te dá prazer! Não faça emburrado para emagrecer. A maioria fala "nossa, ir para a academia é osso". Com essa atitude mental, tem que ter uma força de vontade hercúlea para se manter fiel e perseverar. Fisioculturistas tem outros objetivos que não emagrecer. Sentem prazer no exercício e de como seus músculos reagem aos estímulos.

Eu fazia Karatê com muito prazer. Adorava lutar. Aliás, se observar minha lista acima, todos os itens são por prazer. Têm relação de amizade, competitividade. Eu andava o dia todo de bicicleta, para todos os lugares e treinava Karatê. Se saía da bicicleta, estava e skate ou carrinho de rolemã.

E eu não pensava no esforço. Alguns amigos e eu fazíamos tiros longos de bicicleta pelo prazer de vencer a distância. Pergunte se alguém tinha coragem de dizer que estava cansado? Nos vangloriávamos por fazer todo o trajeto sem colocar os pés no chão. O resultado? Resistência, pernas fortes e preparo físico. Sem pensar "que chato ter que sair de bicicleta hoje".

Encontre seu estímulo. Qual atividade você tem vontade de fazer.

Parceiro de treinos

Apesar de ser um bom estímulo (competitividade - se ele fizer eu faço, se ele consegue eu consigo, se ele vai treinar eu vou treinar), tenho algumas ressalvas.

Se ele não vai treinar, eu também não vou ou perco a obrigação de ir. Temos esse outro lado da competitividade: se não há oponente ou se nosso oponente for mais fraco, não tenho porque fazer ou me esforçar.

Passamos a responsabilidade para o outro.

Postura mental

Já escutei muitas pessoas dizerem: "só vou lá treinar na academia porque já paguei". Esse tipo de "estímulo" dificilmente irá perdurar. Na próxima mensalidade provavelmente você irá abandonar a academia.

A ideia não é pensar que temos que fazer academia. Academia é apenas o lugar. Passa a sensação de que temos que fazer qualquer coisa que tenha lá na academia. Parece um castigo. Quando pessoas que gostam do que fazem, dizem "hoje tenho meu treino".

Entenda, no final o que vale é o que está na cabeça. É como você encara o exercício, como qualquer coisa nessa vida. Nossa postura mental. Se você pensa sempre na academia como algo ruim, impossível seu corpo estar disposto na hora de ir até lá.

Quando eu chego em casa cansado e a atração monstruosa de ceder aos prazeres do sofá me faz querer ficar apenas ali deitado, eu penso "vou até a academia e faço qualquer coisa, depois volto". Geralmente acabo treinando normalmente.

Essa barreira mental impulsionada pelos prazeres do conforto, tem que ser ludibriada e, quando chego na academia ainda a contragosto, mas começo a treinar, a sensação vai embora e um exercício acaba puxando o outro: "só mais esse".

Aqui há uma ressalva, eu avalio qual é essa sensação de cansaço. Se eu dormi muito pouco na noite anterior, se eu estou com uma fadiga física, se o cansaço é basicamente físico eu não vou treinar. Não preciso estar em alto desempenho nas minhas atividades físicas.

Mas se for cansaço mental, sempre me esforço pra ir treinar. É o remédio para o cansaço mental.

Portanto...

Eu gostaria de falar de mais outros tópicos, que deixarei para outra oportunidade.

A conclusão de tudo acima é: tenha vontade de fazer, se não tem, encontre a vontade e condicione sua mente de que aquilo é bom. Não fique colocando a negatividade na cabeça de que treinar é difícil, ruim, chato.

Coloque coisas positivas na sua mente. Veja como algo bom e você verá que sua mente fará o resto. Você irá treinar, seja lá o que escolher, e fará muito bem isso.

Última - relacionada com a mecânica do corpo: 

Se você não tem experiência em exercícios, procure alguém que saiba e te auxilie. Fazer de qualquer jeito pode trazer problemas temporários e outros a longo prazo.

Cuide sempre da postura e garanta que quem está recebendo o esforço é o músculo e não o ligamento. Que as articulações estejam operando na direção correta. Cuide de você!

2 comentários:

  1. Muito bem, pensando assim o desafio seja achar o que gosta !

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  2. Lembrei dos meus tempos de taekwondo, infelizmente fui até azul somente .

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