sábado, 28 de março de 2015

Desenvolvimento do projeto: Homem

Outro dia, conversando com um amigo meu, daquelas conversas jogadas fora, me ocorreu um pensamento que já havia me ocorrido outras vezes, mas desta vez aproveitei pra falar em voz alta.





Como teriam sido pensamentos de Deus no desenvolvimento do projeto Homem? A proposta que o "empreendimento" demandava e as soluções encontradas. Uma a uma.


Claro, este tipo de pensamento do ponto de vista da engenharia. Não sou conhecedor da biologia humana além do que me foi apresentado na escola pré universidade.

E é claro que este ponto de vista é apenas um exercício com um toque de humor e questões que eu me depararia, como se a mente de Deus trabalhasse como a minha. Que é óbvio que não!

Tudo isso porque acho a mecânica do corpo humano extremante interessante e complexa. E não estou entrando nas questões químicas, psíquicas, espirituais nem nada disso. Apenas a mecânica da coisa.

Fico pensando como teria sido idealizar o corpo humano e listar tudo o que seria necessário para que ele funcionasse. Energia, restauração, movimentação, sentidos etc. E o pior, quantas outras listagens foram surgindo a medida que cada sistema era desenvolvido. Sistema imunológico, manutenção do calor corporal, quebra de moléculas das mais diversas fontes de energia e por aí vai.

As dúvidas e os problemas encontrados para desenvolver todos os sistemas e, muito pior, fazer com que tudo funcione conjuntamente.

Estrutura:



 Acredito que a primeira coisa a se imaginar, é como seria a forma do corpo a ser criado. Isto deveria ser pensado dependendo de alguns requisitos como mobilidade com agilidade e capacidade de deslocar cargas aproximadamente iguais ao seu peso próprio.



Seria necessária uma estrutura rígida para dar suporte ao corpo. A dúvida talvez seria por uma estrutura interna ou externa, como nos insetos. Acredito que neste momento a decisão por uma estrutura interna, nossos ossos, pode ser porquê fomos imaginados para termos contato físico, carinho, sensibilidade para manusear objetos. Tato.



Como a estrutura seria interna, teria uma massa menor que uma externa. Teria que ser resistente e leve, além de orgânica. Acredito que é por isso que os ossos são estrutura tubulares. Pela mesma massa, teriam menor resistência se fossem maciços (para manter a mesma massa, seriam mais finos).


Interessante observar que nas extremidades, onde as sobrecargas são maiores, nossos ossos são "maciços".

Fantástico imaginar que deveriam bolar uma estrutura rígida mas que fosse capaz de crescer e sentir. Implementar uma vasta rede de sensores que fossem capazes de desempenhar este papel.

Aqui merece ser destacado a decisão desde o princípio no uso de partes infinitamente pequenas, capazes de serem o que for preciso que sejam.

São os átomos e suas subpartes que se juntas em cadeias cada vez maiores e começam a formar a matéria. Alguém já parou para imaginar que uma mesma partícula é o tijolo para a "construção" do aço e do cristalino dos nossos olhos?

Deus teve mais uma sacada fenomenal quando utilizou "tijolos" para montar "blocos" e estes blocos formarem "blocos maiores" e assim sucessivamente até termos toda a diversidade e variedade de matéria que conhecemos.

Tijolos - Prótons, neutrons, elétrons (sem mencionar suas subdivisões - quarks e afins)
Blocos - Átomos
Blocos maiores - Moléculas

Quis com essa mudança no foco, apenas embasar a unidade fundamental de nosso corpo, as células. Estes maravilhosos elementos ínfimos aos olhos nus, mas tão complexos em sua construção.

Cada uma com algumas diferenças, mas todas com o mesmo princípio, formam todos os tecidos de nosso corpo humano.




Esta ideia possibilitou a criação dos diversos tecidos que temos no nosso corpo. Mas uma coisa que ainda me fascina, é termos células capazes de criarem estruturas rígidas como os ossos e e tenras como o fígado.

Movimento:

Continuando nossa obra, agora que temos a estrutura montada, precisamos definir como movimentar a coisa toda. Não só andar mas todos os movimentos possíveis.

Neste momento, cabe uma reflexão de que muito provavelmente, tanto a estrutura óssea quanto a disposição muscular foram projetadas em conjunto.

Há uma harmonia e um entrelaçamento entre estes dois elementos que refletem em uma minimização dos espaços, um adensamento que, de tão bem montado, não impacta na eficiência do conjunto.

Somos capazes de fazer movimentos tão ousados em tantas direções que, até hoje, na criação de máquinas robóticas, são necessários muitos mais articulações para se ter os mesmos efeitos de uma mão, por exemplo.

Acredito que isto se deva ao fato de não termos ligações fixas, ou seja, nossas articulações são criadas para contato "topo a topo" e não do tipo de encaixe, que evitaria o afastamento entre as partes.




No caso do nosso corpo, as principais junções têm os tais ligamentos, que impedem estes afastamento e movimentos em direções não projetadas originalmente.

Mas eles não mantêm as peças tão justas quanto em um equipamento, como esferas num rolamento novo. Em um equipamento, uma folga em uma junção significa que esta vai criar um desgaste acelerado e falir.

Já no corpo humano, estas folgas permitem pequenas torções e giros que no somatório, criam movimentos que as máquinas não reproduzem.

Para exemplificar, experimente plantar firmemente um pé no chão enquanto tentar girar o quadril. Saiba, você vai conseguir. Tente perceber quem, de suas articulações, está girando. A resposta é: Todas. Até o tornozelo cede um pouco.

Voltando aos músculos, para mim é uma das maiores magias. Como pode um conjunto de células criarem fibras que correm sobre outras causando a contração do músculo??

Se fosse um motor elétrico, que cria um campo magnético capaz de atrair os polos de sinais opostos etc... tudo bem, mas em uma estrutura celular como os músculos? Muito complexo.

Não vou me aprofundar nesta biologia. Vamos nos ater ao quesito mecânico.

Se você alguma vez estudou uma alavanca (momento fletor), vai perceber o tamanho da naba.

O Projetista deve ter se perguntado: "Como manter a estrutura coesa e ao mesmo tempo ter força o suficiente para as atividades necessárias à vida, como caçar, correr, levantar objetos, ter sensibilidade, ser suave..."

Vamos imaginar que Ele imaginou que os tais músculos só teriam a capacidade de puxar, nunca de empurrar (esqueçam da língua neste momento).

Então Ele "encomenda" essa tal estrutura muscular de um Fornecedor (que no caso seria Ele mesmo, tendo em mente a Santíssima Trindade em que todos são Ele mesmo).

Juntamente com a encomenda, ele recebe uma folha com os resultados dos ensaios de qualidade etc e as especificações técnicas do produto. "Para cada feixe de 1.000 fibras musculares, tem-se uma tração de 1 kgf" (não faço a mínima ideia de quanto realmente seja).

Mas com este dado em mente, Ele pode identificar todos os pontos de ligação na estrutura óssea e, em função dos comprimentos dos membros e das cargas pretendidas nas extremidades, dimensionar a quantidade de fibras para cada grupo muscular.

Exemplo: Para se levantar 10kg com o braço, que tem do cotovelo até a mão 40cm (no meu caso), sendo que a ligação do bíceps está a 5cm do giro do cotovelo, temos que 40cm.10kg=5cm.Força. Ou seja, a Força é igual a 80kg (nem vou colocar exclamação aqui).




Se o cara ergue 20kg, o músculo deve fazer 160kg (deu vontade de colocar exclamação agora).

Bom, e como dissemos que os músculos não empurram, quase todos os músculos esqueléticos tem um opositor, responsável pelo movimento contrário.

Dei exemplo do músculo na posição mais direta que existe, o bíceps. Mas a grande maioria dos músculos trabalham em posições não tão diretas assim, o que demanda muito mais força ou atuação do esqueleto, como músculos diagonais de giro de tronco, ou musculaturas responsáveis por girar o braço (palma pra cima e gira pra baixo), entre outros.

E é esta construção que acho fascinante. Temos diversos pequenos músculos que circundam nossas costelas até nas costas.

Imaginem a força dos músculos das costas, que atuam praticamente paralelo à coluna e são responsáveis por sustentar todo nosso peso, além de sobrecargas quando carregamos algo.

Imaginem a sobrecarga muscular e principalmente a compressão nas vértebras, quando arcamos as costas para pegar um peso no chão.

Lembrem-se que, aquela força que o músculo faz, é o mesmo de compressão que o cotovelo está recebendo.

Refrigeração:

Vamos pensar em nossos carros, se tem energia mecânica, tem dissipação de calor.

O Bugatti Veyron dissipa 3.000ºC em potência máxima (!!).

Nosso corpo não é diferente (não na caloria). O trabalho muscular gera calor. A atividade de nossos órgãos idem.

Então, como manter a temperatura ideal de operação. Num carro é em torno de 90ºC. Nosso corpo, em torno de 36ºC~37ºC.

No carro, existe um sistema de água com aditivos e válvulas que desempenham este papel. Este sistema é circulatório, como nosso sistema circulatório.

Para o corpo humano, o Projetista imaginou um processo não circular, ou seja, não reaproveitável.

Expelimos água quente através de cada poro de nosso corpo. Tudo bem, tem áreas que não transpiram, mas não vem ao caso.

Este processo renovável tem uma desvantagem, desidrata o corpo, o que nos obriga a estarmos constantemente repondo. Mas trazem uma enorme vantagem, mantem nossa pele limpa. Serve para expelir impurezas também.

Geração de energia:

Quem iria imaginar um tipo de combustível para suprir a demanda energética de um corpo humano? Gasolina? Álcool? (tenho amigos que praticamente usam esta fonte energética, mas também não vem ao caso).

Bom, a resposta foi: Outras células.

Tá, parece um pouco de canibalismo aqui. Mas para se criar tecido, devemos ingerir tecido (proteína). Para energia, elementos que possuem energia.

Neste último quesito, você pode me encurralar e dizer: "Ei, toda matéria tem energia!!" Verdade. Mas precisava ser uma que nossas células pudessem "digerir" e extrair esta energia.

De acordo com Einstein e seu E=m.c^2, se quebrássemos alguns átomos, nunca mais precisaríamos comer.

Mas não podemos. Da mesma forma que não podemos extrair energia de uma rocha ou um pedaço de ferro.

Mas podemos dos carboidratos.

Vacas conseguem de celulose, mas ficam muito tempo mascando a mesma coisa. A gente não teria paciência.

Como seria o processo?? Pegar algo macro, como uma fruta ou uma carne e partir e quebrar até extrair as partes interessantes. E o que fazer com o resto?

O pensamento também foi do macro para o micro.

Outro pensamento foi: "OK, como preciso de um processo contínuo, devido ao volume e a composição do tal alimento, devo ter um duto único com uma entrada e uma saída."

Entrada, uma tal "boca", onde teríamos um britador primário responsável pela homogenização da comida.




Depois deste ataque mecânico no alimento, entraria um ataque químico. Esse Projetista é danado mesmo!!

Passado do estômago e da ação das substâncias químicas envolvidas no processo, teríamos os nutrientes necessários misturados com uma massa de subproduto inservível.

Ele então desenhou, no tubo, uma superfície que fosse absorvente para os produtos necessários. O restante seguiria direto até a tal saída.

Nosso sangue então faria o papel de carregar os nutrientes a todos os cantos do corpo, fazendo chegar comida a todas as células.

Transporte interno:

Como projetar uma rede de tubos, conexões e acessórios, tão vasta e tão ramificada que pudesse, além de tudo, ser circular, ou seja, com volta do líquido transportado.

Esta parte eu realmente não consigo compreender como pode funcionar. Só de imaginar as diferenças de pressão, se fosse uma tubulação feita pelo homem, 90% das tubulações teriam o sangue estagnado.

Pensem só por um momento, como podemos ter tubulações de tão variados diâmetros em uma rede tão grande como a nossa, usando apenas 2 bombas (lembrem-se que o coração tem duas cavidades de bombeamento), tubulação esta flexível e que percorre uma estrutura que não é constante ou fixa.

Podemos nos movimentar de qualquer forma que o sangue sempre vai continuar fluindo. Seja deitado ou em pé.

E não venham com essa de redes de água e esgoto das cidades grandes. Lembrem-se de que estas redes são, além de constituídas de tubos rígidos e fixos, tem fluxo num só sentido. Não tem que retornar, como faz o nosso sangue.

Deus teve ainda que resolver o problema da transferência dos nutriente e oxigênio do sangue para os tecidos. Como funciona? Passou perto já basta para que tudo o que está sendo transportado nas hemácias simplesmente pulam para os tecidos de destino quando passam perto? E só quando as artérias estão finas o suficiente? Passando uma hemácia de cada vez? Como garantir que os nutrientes não tenham sido descarregados no caminho?

Graças ao nosso Projetista, estas questões são muito bem resolvidas em nosso organismo.

Centro de comando:

Não quero me alongar muito mais. Vamos ao final do projeto que é Ser Humano, imaginando o que foi pensado e projetado como gestor de todo este conjunto.

Como já imaginado em diversos filmes, como Matrix, criar um organismo apenas para "viver" não seria viável. Não se você quisesse dar um certo grau de conhecimento de si próprio e de inteligência.

Como mostrado em Matrix, a criação de um mundo perfeito, sem problemas ou dilemas se mostrou um fracasso. Isto porque somos movidos pelo desafio e pela busca incessante de algo maior.

Imaginar algo que imagina, que pensa, que cria. Isto deve ter sido a parte mais divertida para este nosso Projetista maior.

Criar um corpo, um organismo formado por células capaz de gerar eletricidade e, com isto, comandar todos os sistemas criados.

Ainda, ser capaz de interagir com outros e ter funções e pensamentos incapazes de serem transcritos com exatidão no mundo físico. São o que chamamos de sentimentos.

Como criar algo que não seja palpável. Como sentir amor, atração, amizade, ódio. Apenas por impulsos elétricos e liberação de substâncias químicas na corrente sanguínea.

Mas porquê voltamos alguns destes sentimentos a determinadas pessoas e outros sentimentos a outras pessoas? Por acaso sentimos o cheiro dos hormônios que apenas nosso subconsciente pode perceber?

Somos apenas reações de uma massa de células eletricamente energizadas que liberam substâncias, contraem músculos e coordenam nossas atividades involuntárias?

Fico imaginando a overdose química necessária para gerar a sensação de amor que temos por nossos filhos.

Neste ponto, entre o explicável e o inexplicável, nos voltamos ao nosso Projetista. Ao nosso Designer. Que nos imaginou e nos criou.

Mas aqui, foge em muito o objetivo deste texto.

Neste ponto, deixo o texto acima para ser corrigido e criticado pelos mais estudados na área e a continuidade deste aos filósofos e aos ousados em imaginar daqui em diante.

2 comentários:

  1. Cheguei aqui após ter tido um insight de "Imaginar algo que imagine"...deu uma googada e achei seu artigo, que por sinal, é muito interessante. Gostei do texto e das associações feitas, como Smith disse em 1984 "...não que o que esteja escrito fosse algo novo para mim enquanto lia, mas é sempre bom ler linhas com as quais concorde..."

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    1. Saiba que, melhor ainda para quem escreve, é saber que teve um efeito positivo em quem leu. Bom do mesmo tamanho, é receber um comentário de nível. Obrigado

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